Futebol

 

 Promessas de um sonho futebolístico

                                                                                                                   

Viagens, das que duram cinco horas às que ultrapassam doze horas. Em todas elas alguma surpresa surge, boa ou ruim. Entre as minhas andanças pelo sul do Brasil já tive milhares de coincidências com as pessoas que ao meu lado sentaram. Na mais recente das viagens, de Toledo a Frederico Westphalen, conheci uma pessoa com uma história que me despertou interesse por todo mundo que a envolve. Esse mundo é movido por sonhos que surgem na infância: enquanto meninas almejam ser modelos, meninos querem viver do prazer de jogar futebol. A maioria desiste e descobre em si um outro dom, mas alguns insistem no sonho de quem um dia foi criança. Para que se torne realidade, a palavra-chave é persistência! Ingressar numa escolinha de futebol é um passo fácil, não exige grandes investimentos e às vezes nem muito esforço, mas chegar a categoria profissional e ter que enfrentar a distância das pessoas queridas, aprender a conviver com pessoas que nunca viu antes, morar em lugares sem as mínimas condições e muitas vezes levar golpes de empresários, realmente não é uma tarefa nada fácil, só quem entende que não há outra coisa que saiba fazer bem na vida é que permanece nessa árdua estrada.

Ao meu lado, na poltrona seis, estava uma dessas pessoas, mais especificamente o goleiro da equipe sub 20 do Sport Clube Internacional de Porto Alegre. Seus um metro e noventa e seis não correspondiam a qualquer outra posição do futebol e é essa altura toda que o espremia cada vez que a mulher da frente abaixava ameaçadoramente a sua poltrona. Nos seus poucos dezenove anos, Luiz Paulo de Moraes, não é novato na carreira. Por causa do esporte ele já teve a oportunidade de morar na capital do estado do Paraná, Curitiba, e na bela capital do estado de Santa Catarina, Florianópolis. Natural de Toledo, oeste paranaense, hoje ele mora em pleno estádio Beira Rio “embaixo da arquibancada”, como ele mesmo explica. No alojamento do clube, ele divide o espaço com mais doze homens e classifica o lugar e a comida como bons.

Luiz começou no futebol muito cedo, inspirado pelo seu pai que não chegou a jogar profissionalmente porque teve que operar o joelho. Aos quatro anos ele já arriscava suas primeiras defesas como goleiro, posição que seu pai defendia. Foi vendo jogos na televisão que ele abastecia o sonho de todo garoto.

- Você sabe como é homem né? Quando é criança quer ser jogador... – afirma Luiz Paulo.

Contando com o constante apoio da família ele começou a jogar e nunca mais parou. Durante três anos ficou na posição de goleiro. Aos sete anos foi ser zagueiro, mas percebeu que sempre era melhor entre as traves e voltou a assumir a posição aos doze anos, quando entrou no Toledo Colônia Work (TCW). Mesmo antes de entrar no time ele não jogava de vez em quando, como passatempo.

- Eu sempre joguei em escolinha e nunca faltei um treino desde os meus quatro anos! - responde com orgulho.

Dos doze aos dezenove anos Luiz Paulo passou por cinco clubes. Numa rápida retrospectiva ele conta que ficou dos doze aos quinze anos no TCW. Depois foi para outro time de Toledo, o Sofran Vapor, onde ficou por dois anos. Em seguida, com a ajuda de um procurador, foi para o Avaí de Florianópolis, ficou um ano lá e com dezoito anos foi para o Trieste de Curitiba. Em outubro de 2008 foi por conta própria para o Internacional, onde está atualmente. Para quem não é do ramo alguns termos parecem ter o mesmo significado, como procurador e empresário.

- Procurador não pode assinar contrato profissional para o jogador, só amador, e empresário e agente Fifa podem fazer contrato profissional – explica prontamente Luiz.

Apenas o Avaí e o Internacional exigiram que ele fizesse testes para ingressar no time. No Trieste ele passou a receber alguma forma de salário, humildes 140 reais. Atualmente, recebe mil e quinhentos reais no Inter, além do alojamento, comida, acesso a academia e plano de saúde. Difícil imaginar que alguém apostou tudo e foi para uma cidade a 850 km da sua para não receber nada.

- Eu não enfrentei tantas dificuldades financeiras porque eu nunca fui uma pessoa de gastar dinheiro, sempre fui muito tranquilo com isso. Às vezes meus pais me ajudavam, mas pouco.

A pior fase financeira foi justamente no Avaí, onde ele não recebia nada além do alojamento e alimentação. Luiz dividia o quarto com 21 meninos e ficou praticamente seis meses sem poder fazer nada por falta de dinheiro. Até mesmo poder aproveitar a praia de Florianópolis, porque era longe. Hoje a situação mudou, ele tem dois empresários e explica que cada jogador determina no contrato como será a questão financeira. No dele, os empresários só passam a receber 10% do salário quando ele receber acima de 10 mil reais.

Luiz Paulo não se adaptou muito bem a Porto Alegre. Ele diz que foi bem recebido, mas que era mais feliz em Curitiba, onde recebeu a bola de ouro de melhor goleiro de 2008 pelo campeonato paranaense sub 20. Até hoje jogou dez vezes pelo sub 20 do Inter e por não querer renovar o contrato no final do ano, atualmente está só treinando. O treino acontece todo dia e segundo ele é bem puxado. Os jogadores têm acompanhamento de médicos e fisioterapeutas no próprio clube. Mesmo recebendo um salário bem maior agora, ele acha que não compensa continuar lá.

- Aqui no Inter é muito difícil para jogar, então às vezes é melhor ir para um time pequeno e se destacar para depois ir para um time grande, do que ir direto para um grande e não jogar.

Ele não tem dúvidas que está na posição mais difícil de ter sucesso profissional. A idade média de um goleiro de grande time é 25 anos, ou seja, ainda há um bom caminho pela frente. Segundo ele, os goleiros têm menos espaço, só um deles joga entre os quatro que tem no time. Ele vê outra dificuldade nesse meio: traição entre os “colegas”.

- Na maioria das vezes quem escala o time é um diretor, ou às vezes o técnico escolhe colocar para jogar alguém que ele tem mais afinidade.

Está quase certo que ano que vem ele estará no Botafogo, em São Paulo, para jogar o paulista da série A e espera receber uma nova proposta para ir jogar na França. Por enquanto ele tem como exemplo o goleiro da Itália, Buffon, e aspira receber um dia o salário de 50 mil reais e jogar em um time grande da Europa.

- Isso para fazer um futuro ótimo!

Luiz Paulo é torcedor do Santos, mas se um dia jogasse contra seu time de coração, afirma: “não teria problema nenhum”. Diz que não vai pensar no outro time, mas sim em fazer sua parte de jogar bem e ganhar o jogo, clichê de todo jogador. Otimista, vê um grande futuro para si e pretende fazer de tudo para que esse desejo se torne realidade.

- É o que eu mais gosto de fazer - conclui a promessa de grandes defesas, Luiz Paulo de Moraes.

Voltando a viagem de ônibus, foi conversando com Luiz Paulo que me surgiu a lembrança de um colega de ensino médio que jogava futebol, até as últimas notícias estava morando na Suíça por causa da sua carreira profissional. Eles se conheciam, mas como disse Luiz Paulo, naquela época o meu colega era mais estrela que ele, e eles não tinham tanto contato. No desembarque às duas horas da manhã, fica a ansiedade de retomar o contato com meu ex-colega e quem sabe me surpreender com mais uma história de vida. O colega se chama Pedro Ivo Welter Krenczynski e tem história no futebol, apesar dos seus 21 anos. Em uma conversa longa, pude descobrir um lado que passou despercebido no ano em que estudamos juntos, mesmo sentando lado a lado, as conversas não renderam mais do que muitas risadas e zombações um do outro, algo típico da idade. O meio campo está hoje na sua cidade natal, Iguatemi, no Mato Grosso do Sul, passando um longo período de férias, resultante de um acordo com seu clube da Suíça. Sua história dá um livro de no mínimo trezentas páginas, que se encaixa no estilo dramático. Não que Pedro se passe por coitado ou porque era aquele menino que não tinha condições financeiras e que alcançou o sucesso, mas justamente porque saiu de boas condições para viver situações difíceis, tanto de infraestrutura quanto sentimental.

Para que uma história seja bonita não precisa ter nela uma pobreza, uma morte ou um acidente. Basta ser real. Pergunto para Pedro de onde surgiu essa vontade de ser jogador de futebol e com tranqüilidade e segurança ele me diz que nunca pensou em ser outra coisa, que desde pequeno só se imaginava jogando futebol e que sabia que aquela seria a sua profissão. Decidido, não seria ficando em casa que ele iria realizar seu sonho, mas essa decisão foi tão cedo que ele teve que esperar.

- A primeira vez que fui numa escolinha, o treinador me mandou voltar no próximo ano de tão pequeno que eu era – conta Pedro.

Por trás dessa paixão estava o apoio do irmão que levava ele na escolinha e o desejo do pai de que seu filho fosse jogador. Mas como acontece com a maioria das pessoas, o que se deseja fazer não se consegue no lugar ideal.

Iguatemi é um município de 44 anos localizado ao sul do Mato Grosso do Sul, com quase 15 mil habitantes. Não é uma cidade em que grandes oportunidades apareçam e está longe de ser o estereótipo de sucesso para jogadores de futebol. Por isso, Pedro ficou só até os treze anos jogando na escolinha e onde mais podia achar companhia para fazer uma partida.

- Aqui na cidade eu treinava tudo que era possível. Futebol de campo nas terças e quintas, futsal nas quartas e sextas, além de sempre jogar com amigos. Os campeonatos eram nos finais de semana.

E foi através do seu tio Agenor, treinador de futebol, que as oportunidades de testes em clubes surgiram. Fez teste em Campo Grande e no Atlético Paranaense, mas acabou indo para o interior de São Paulo. Na sua experiência de teste no Atlético teve a sua primeira decepção. Mesmo chegando três dias depois do início dos testes ele foi um dos três selecionados entre os “trinta e poucos moleques” que fizeram a seleção. E porque não foi para lá? A verdade nem ele sabe direito. Define como coisas do futebol, coisas de empresário que na época ele não tinha a menor noção do que acontecia. O que ele desconfia é que o empresário, amigo do seu tio, tenha ficado com algum dinheiro, porque logo depois de ser aprovado ele foi informado de que o Atlético participaria, após um feriado, de um campeonato e que então era para os selecionados ligarem para os seus empresários que manteriam contato com o clube. O que aconteceu se resume numa frase de Pedro:

- Eu nunca consegui falar com o meu, hoje imagino que queriam dinheiro ou que o meu empresário nem foi lá.

Passado esse grande mal entendido e principalmente essa oportunidade, Pedro foi fazer um teste no interior do estado de São Paulo, em Mirassol, cidade que seria seu pior pesadelo. Segundo ele, foi onde descobriu a realidade do futebol.

- Até então era tudo um sonho, ser um grande jogador de futebol e viver do que eu mais gostava de fazer. Quando eu fui para o Mirassol a realidade começou a aparecer.

Para ele, só as histórias de lá rendem um dia inteiro de conversa. Pedro que nunca passou por dificuldades, tinha sempre seu quarto, seu videogame, foi morar no calor do alojamento embaixo da arquibancada, num quarto minúsculo, dividido com mais quatro pessoas, com banheiros sem porta, chuveiro frio e um ambiente sujo.  

- Uma vez passaram veneno no alojamento e contamos 27 baratas mortas só no meu quarto e banheiro junto. E tinham mais 14 quartos.

Imaginar que isso é realidade ou foi um dia, é chocante. Para piorar, ou em alguns casos melhorar, eles recebiam 50 reais por mês de ajuda de custo, e tinham esse tipo de moradia e alimentação “de graça”. Pedro conta que tinha um colega que era tão pobre que dos 50 reais que recebia mandava 30 para a família. História assim dói só de pensar! É claro que nenhum ser humano aguenta isso por muito tempo, ainda mais se não depende dessa miséria para sobreviver, e depois de um ano, Pedro desistiu. Se a conseqüência fosse somente voltar para casa, não teria problema, mas essa experiência o fez abandonar e, mais que isso, se revoltar contra o seu sonho.

- Decidi que não queria mais jogar futebol. Estava profundamente decepcionado.

O resultado foi um período de férias em Iguatemi e planos para ir morar em Toledo, no Paraná, apenas e tão somente para estudar. Enquanto estava de molho em casa, seu Tio Agenor novamente entrou em ação, ligou avisando que estava abrindo um projeto do Toledo Colônia Work (TCW) e que queria que Pedro fosse para lá com a irresistível proposta de receber não mais 50 reais de ajuda de custo, mas sim 60! A ligação do tio gerou uma briga na casa dele. Ele não queria mais saber de futebol e seus pais queriam que ele fizesse algo a mais do que estudar. Para entrar nesse projeto, ele tinha que chegar em Toledo duas semanas antes do início das aulas para começar a treinar, e, claro, ele não fez isso. Foi só quando começaram as aulas que, levado pelo pai, ele foi num treino, mas também não durou mais que esse dia.

- Não tinha alegria em jogar, só via os defeitos do futebol, não enxergava o lado positivo.

Depois de duas semanas indo da escola para casa, nos seus 15 para 16 anos, ele cansou de não fazer nada e voltou atrás. Ligou para o seu tio perguntando se ainda dava para ele ir treinar. Como tio é tio e talvez com a sua visão de treinador, Agenor deu risada e respondeu um “claro que sim”. Nessa época estava tudo melhor, nada de alojamento e com algumas pessoas da família por perto. Toledo resultou em três anos, com algumas negociações no meio e no fim com sua ida para o futebol da Suíça. Vendo assim parece que jogar no TCW foi a oportunidade da vida dele, e que graças ao clube ele tem o que tem hoje. Mas Pedro não enxerga bem assim.

- Acho que eles me travaram um pouco. No final tive sorte. Mas de todo aquele meu time, eu fui o único a sair e tínhamos várias propostas. Acho que tudo depende de nós mesmos, mas isso é uma filosofia minha. Se você estiver bem, os empresários vão vir atrás de e se você souber lidar com o clube, tudo vai dar certo.

Então, seguindo essa filosofia, graças a ele é que em agosto de 2006 ele foi contratado pelo time da primeira divisão da Suíça, o FC Basel (FussballCluc Basel), localizado na cidade da Basiléia. Segundo ele, seria como o time do São Paulo é para o Brasil, ou seja, grande e bom. Resumindo sua estada por lá, Pedro usa as palavras problemas, empresários, esquemas, saudades e tudo mais. Ele não precisa pensar muito para definir o que foi o melhor e o pior da Suíça, a reposta surge rápida e curta.

- O melhor foi o dinheiro e o pior foi a saudade.

Pensando mais criticamente, ele renega o dinheiro para atender aos princípios éticos. Acha que o melhor foi a experiência de vida e o conhecimento de outra cultura e língua. Mas afinal, quanto ganha um jogador iniciante no futebol estrangeiro? Essa pergunta soa para ele mais ou menos como soa perguntar a idade de uma mulher. Peço que ele faça um parâmetro de tanto a tanto, já que não quer falar exatamente. E a resposta é nada mais nada menos que de 10 a 15 mil reais. Isso é porque o contrato dele é de início, alguns jogadores chegam a ganhar 160 mil nesse clube, mas a maioria é de 30 a 40 mil, entre os que já têm mais tempo de clube. Dependendo do contrato os jogadores ganham casa e carro, e quando o jogador vem de outro país ganha um pouco mais. Para convencer as pessoas dos grandes salários dos jogadores de futebol, Pedro tem uma boa justificativa.

- Até chegar lá são muitos riscos de não ser nada na vida. É por isso e por outras coisas que concordo com os altíssimos salários que os jogadores ganham.

Pedro não tem idéia de quantos jogos fez pelo Basel, a maioria foi pelo time B e alguns pelo A. Fazendo um retrospectiva da sua carreira no futebol, indago ele novamente sobre qual foi o pior e o melhor momento até agora. Sem nenhuma dúvida ele me diz que o pior foi voltar para a Suíça depois das primeiras férias no Brasil, mas o melhor ele não consegue definir, foram vários pequenos momentos que envolveram amigos e coisas que passaram juntos. Ele, ao contrário do goleiro Luiz Paulo, não vê tanta competitividade nesse meio, acha que é como qualquer outra profissão, que a desconfiança nos colegas acontece só no começo, enquanto ainda não se conhece bem as pessoas. Pedro considera que a posição que tem mais dificuldade de ter sucesso no futebol é justamente a do nosso outro personagem, a de goleiro.

- Jogador pode improvisar em outra posição, goleiro não...

Em toda profissão que uma pessoa escolhe seguir ela tem alguém que serve de inspiração, mais conhecido como ídolo. No futebol não faltam opções, das mais antigas às mais recentes descobertas, Pedro fica no meio termo, com jogadores descobertos a certo tempo, mas que ainda estão na ativa. Tem o Ronaldo como “o maior de todos” e o Kaká como um jogador com uma história que ele se identifica.

Com um acordo feito com o Basel, seu destino deve ser a Polônia no final do ano, as condições financeiras não devem mudar muito, mas algo precisa mudar internamente.

- Meu sonho profissional é voltar a ter alegria de jogar como um dia eu tive, no pessoal é estar tranqüilo financeiramente e ao lado da minha família e amigos.

Aquele sonho de jogar em algum time ou participar de um campeonato especificamente, infelizmente Pedro diz que não tem, e logo revida com seu instinto de jogador que responde que o sonho seria “jogar nos grandes clubes”. Esse desanimo pode ser uma simples fase ou uma constatação de que certas dificuldades enfrentadas não compensam. Mas o que é certo é que existem marcas que ele não consegue apagar.

- Acho que na verdade, desde que conheci o futebol como ele realmente é, eu perdi aquela paixão. Hoje se joga exclusivamente pelo dinheiro. Vou tentar mais algumas vezes, ver se volto a sentir prazer em jogar e sei que se isso acontecer, eu posso ganhar muito dinheiro.

O seu ideal seria jogar com vontade e de quebra ganhar um salário de mais de 100 mil reais. Ao contrário do que ele acredita acontecer atualmente no futebol brasileiro, Pedro não entrou no futebol por falta de opção, não é aquele menino que “ou é jogador ou vai viver o resto da vida ganhando 500 reais devido à falta de oportunidade”. Esse final parece o relato de uma pessoa que se arrependeu de ter apostado no seu sonho. Mas há sim, uma luz no fim do vestiário.

- Não me arrependo de ter escolhido essa profissão. Acho que me ensinou muita coisa e tenho orgulho de ter vivido todas essas experiências, que me fizeram ser o que eu sou hoje. Até porque sou muito novo e tenho todas as opções pela frente!

Baseado nessas histórias de persistência atrás de um sonho profissional, acadêmicos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Metodista, do IPA, de Porto Alegre, fizeram nesse ano o documentário “Base”, vencedor da categoria de Melhor Vídeo Universitário Brasileiro, eleito pelo Júri Popular no Gamado Cine Vídeo de 2009. A ideia surgiu inspirada na decisão de que o Brasil será sede da Copa do Mundo de 2014, e que até lá quem vai estar apto a defender a nossa seleção são as crianças e adolescentes que hoje estão nas categorias de base dos clubes.

- Só que para que isso aconteça, tem toda uma trajetória que exige esforços extremos e renúncias. A "pergunta que não quer calar" é: e se não der certo? – questiona Luiz Alberto Rodrigues, diretor do documentário.

Além de abordar histórias dessas promessas, o vídeo também traz o relato de profissionais de sucesso com começo parecido, a exemplo do atacante Taison, hoje titular do Inter. Para retratar essa realidade eles buscaram fontes na categoria de base do clube.

- O contato com as fontes foi um pouco complicado, porque o futebol está muito profissionalizado e, já nas categorias de base, existe todo um cuidado, uma blindagem em torno dos futuros craques. Já os jogadores profissionais, viajam muito.

Para o estudante de jornalismo que conviveu por algum tempo nesse meio, as dificuldades enfrentadas pelos garotos estão ligadas ao dinheiro e a distância. Mas a principal barreira, para ele, está na concorrência pelas posições nos times. Dezenas de meninos que disputam um lugar nos peneirões e muito poucos são selecionados. Alguns têm a sorte de serem descobertos enquanto jogam em campos de futebol do seu bairro ou vila, e outros entram nas categorias de base por indicação. Durante as gravações Luiz Alberto identificou algo prejudicial para esses meninos, seu relato é grave.

- Na minha opinião, o mais complicado é que começam muito cedo, com 10 ou 11 anos de idade. São crianças com responsabilidades e exigências de adultos. Além disto, eles têm seus períodos escolares prejudicados. Os clubes apregoam que exigem bom desempenho nas escolas, mas isto é incompatível. Em muitos casos se dedicam até os 16 ou 17 anos de idade e desistem, devido à concorrência ou outros fatores.

Em toda escolha que fazemos na vida, automaticamente renunciamos à outra. Apostamos tudo em busca de um sonho que nos move. Foi assim com o goleiro Luiz Paulo, que abdicou de estar perto da sua família e aceitou trabalhar “de graça” em alguns times. Foi, e é assim, com o meio campo Pedro Ivo, que aceitou se mudar para um país distante quase nove mil quilômetros do seu, com uma língua desconhecida e pessoas nunca vistas antes. E é assim com tantos outros meninos que desejam ser promessas de um sonho futebolístico. A pergunta que fica é: será que vai dar certo? Nenhum deles tem essa resposta! Mas, só se sabe isso, a partir do momento que se tenta.

    Letícia Costa, dezembro de 2009

Ponto Norte te mostra um pouco do Sport Club Internacional, confere o vídeo aqui!

Confira aqui a primeira parte do Documentário Base

Confira aqui a segunda parte do Dumentário Base

 

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